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Títulos

 

Um chá não toma um Xá...mas um Xá toma um chá

Natal e outros poemas de amor

Eugénio Lisboa: Vário, Intrépido e Fecundo - Uma Homenagem

Casas de Escritores no Douro

Conta a Canção

Contos do Efémero

Estética e Ética em Sá de Miranda

O Sargento-Mor de Vilar

Os Guardiões das Florestas

O homem da nuvem escura

Itinerâncias

O Morgado de Fafe Amoroso

Histórias, Memórias e Contos Tontos

Brincalendo

Contos do Destino e do Desatino

Titus e os Legionários

A Estrelinha Pálida

Leituras do Desejo em Camilo Castelo Branco

Que é que eu tenho, Maria Arnalda

Os morros de Nóqui

Intermezzi, Op. 25

Magalhães e a primeira viagem à volta da Terra

A Igreja de Salvador de Bravães

Astronomia num Minuto

900 - História de um ReiD. Afonso Henriques 1109-2009

O Morgado de Fafe em Lisboa

Os despautérios do Padre Libório e outros contos pícaros

O Voo do Gafanhoto

Livro das Esmolas

Páginas Minhotas

Casas de Escritores no Minho

Dos maus e bons pecados

Coração Alcantilado

Vitória Sport Clube - Uma fotobiografia

Contos Baldios

O Livro dos Milagres de Nª Sª da Oliveira da Real Colegiada de Guimarães

Itinerarium III

Poesias e outros dispersos

 

 

 

Um chá não toma um Xá...mas um Xá toma um chá

Sérgio Guimarães de Sousa (texto);

Ângela Vieira (ilustração)

 

De um modo divertido e didático, aprende, na companhia do Xá Bahabur, a evitar o uso incorreto de algumas palavras.

Preço do Editor - 11,70 (10% de desconto)

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Natal e outros poemas de amor

A. Riomonte

 

 

Mãe

Mãe, é Natal!
Abriu já em flor
A japoneira branca do quintal.

E as laranjas ganham cor
Apesar dos dias breves
E baços

Aquelas laranjas, Mãe,
Que minhas tenras mãos
Só alcançavam
Dos ramos floridos
Dos teus braços.

 

Preço do Editor - 10,80 (10% de desconto)

topo

 

 

Eugénio Lisboa: Vário, Intrépido e Fecundo

Uma Homenagem

Otília Pires Martins e

Onésimo Teotónio Almeida

(Organização)

 

Em Eugénio Lisboa: Vário, Intrépido e Fecundo - Uma homenagem, a Opera Omnia e a Universidade de Aveiro homenageiam o Escritor, Ensaísta e Professor Eugénio Lisboa, num volume organizado por Otília Pires Martins e Onésimo Teotónio Almeida.

Neste livro  encontramos testemunhos de mais de setenta personalidades da vida cultural portuguesa, que assim quiseram homenagear o Homem e o Intelectual de primeira grandeza que é Eugénio Lisboa.

Preço do Editor - 19,08 (10% de desconto)

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Casas de Escritores no Douro

Secundino Cunha (texto)

Sérgio Freitas (fotografias)

Casas de Escritores no Douro é um livro que, por intermédio da palavra e da imagem, evoca a vida e as vivências de alguns dos mais importantes autores portugueses e dos seus lares (neste caso no Douro), como sejam Eça de Queirós, Teixeira de Pascoaes, Miguel Torga, João de Araújo Correia, Guerra Junqueiro, Domingos Monteiro, Fausto José, etc.
Trata-se de um livro da autoria do jornalista Secundino Cunha, com fotografias antigas e actuais (estas da autoria do fotógrafo Sérgio Freitas).

 

Preço do Editor - 42,93  (10% de desconto)

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Conta a Canção

Albertina Fernandes (texto); Sebastião Peixoto (ilustração); Miguel Fernandes (música)

Conta a Canção é um livro que reúne histórias (da autoria de Albertina Fernandes), canções (com letras da autoria de Albertina Fernandes e música da autoria de Miguel Fernandes) e ilustrações (da autoria de Sebastião Peixoto).

 

Este livro inclui um cd musical e as pautas da música.

 

http://conta-a-cancao.blogspot.com/

http://www.myspace.com/conta-a-cancao

Preço do Editor - 14,31 (10% de desconto)

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Contos do Efémero

Rui Sousa Basto

Duelo

Não havia qualquer possibilidade de entendimento. Os raios de sol reflectiam-se nos vidros das casas e nas superfícies metálicas que se distribuíam pela rua, afogueando a tez pálida e sombria daqueles dois homens que se desafiavam mutuamente. Os revólveres aguardavam nos coldres, ansiosos e vigilantes. O momento seria anunciado pela badalada da uma hora da tarde do sino que se pendurava, indiferente, no campanário da igreja. A um minuto do epílogo o suor escorria com abundância pelos rostos dos contendores. Nenhum esboçava qualquer movimento comprometedor. Ambos sabiam que um deles, muito em breve, seria vindimado pela foice trágica da velha ceifeira de vestes negras e andrajosas. Os poucos segundos que remanesciam demoravam uma eternidade. O toque do sino tardava e os nervos apoderaram-se daqueles dois corpos, tensos e expectantes, postos defronte um do outro em atitude desafiadora. Um dos homens decidiu consultar o relógio de bolso porque suspeitou que o da igreja havia encravado. O outro – atento ao adversário e com os nervos à flor da pele – sacou a arma, disparou-a e atingiu o rival com uma bala entre os olhos. É bem verdade que o tempo, mesmo quando não passa, acaba sempre por resolver tudo.

Preço do Editor - 11,25 (10% de desconto)

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Estética e Ética em Sá de Miranda

 

José Cândido de Oliveira Martins e

Sérgio Guimarães de Sousa

(Organização)

O livro Estética e Ética em Sá de Miranda, trabalho coordenado pelos Doutores José Cândido de Oliveira Martins (Universidade Católica) e Sérgio Guimarães de Sousa (Universidade do Minho), reúne um conjunto de estudos sobre a obra de um dos mais importantes vultos da Cultura Portuguesa. Este livro é o resultado do Colóquio realizado em Amares e Vila Verde, numa organização conjunta da Opera Omnia, dos Municípios de Amares e de Vila Verde e dos organizadores do volume.

Preço do Editor - 11,25  (10% de desconto)

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O Sargento-Mor de Vilar

Arnaldo Gama

"– E mataram o cónego?
– Não mataram; consegui salvá‑lo.
– Tu? – gritou João Peres. – Nunca as mãos te doam. O cónego é um grande homem, por alma de meu pai! E tu fizeste o que devias, entendes? Sei o que digo e vai com esta.
– Pois sim, sim; eu por mim nunca lhe tive grande aquela – replicou
casmurramente o Trinta e três. – Não gosto de homens emproados nem de padres casquilhos. E tenho dito. Mas o De profundis estava ali de olho arregalado e como fora si e diz‑me:
– O cónego Valentim está ali preso.
– E a‑dei?
– Eu espero salvá‑lo.
– Tu!
– E vossemecê vai ajudar‑me a salvá‑lo.
– Eu?
– E se não vem, vou eu só.
E, dizendo, vai a arremeter por entre a turba. Eu deito‑lhe a mão a um braço e sustenho‑o; mas como ele estrebuchava e eu não queria que o rapaz se fosse deitar a perder, assim como assim decidi‑me. Felizmente passava um soldado da Legião, que servira connosco na campanha do Roussillon. Chamo‑o e digo-lhe que estava ali preso por jacobino um grande amigo meu, que era bom e leal português e que eu queria que o fôssemos salvar. Pergunta‑me como; eu digo‑lhe que o povo naquele barulho não repararia, e se alguém reparasse, diríamos que não era dos presos criminosos. Fomos e... com Deus, tirámo‑lo para fora. Mas nisto outro soldado acerca‑se de nós e lança‑lhe a mão. Dissemos o convencionado; ele insiste, teimamos nós, mas nisto, bumba – um tiro e o homem cai morto. Foi o De profundis, que nos acompanhava, quem despartiu a referta. Sem o eu saber, trazia por dentro do colete uma pistola carregada. Que tal está o maluco? Nós não dissemos uma nem duas. Pegamos no padre e levámo‑lo dali às Carvalheiras e pusemo‑lo na estrada do Porto. Aí o bom do homem atentou em si. Deu‑nos muitos agradecimentos e queria dar‑nos dinheiro, que nenhum de nós aceitou. Depois, meteu‑se pelo pinheiral dentro, porque se começou a sentir grande rebuliço de gente. Nós voltamos para Braga e mal chegamos eis que entram de roldão os do Carvalho d’Este e alguns soldados da cavalaria francesa, que os acutilavam. Foi por Deus, que se os franceses não entram, não escapava um só dos do aljube, nem uma só pessoa de gravata ao pescoço que estivesse na cidade. Nisto, ouvimos um grande estampido para o outro lado. Disseram‑nos que era o barão d’Eben que tinha mandado lançar fogo a quinze barris de pólvora e que tinham morrido oito homens da Legião, que o foram lançar. Minutos depois, os franceses entraram na cidade e o Eben fugiu para o Porto e disseram‑me que ele e o estado‑maior e vinte dragões, que o acompanhavam, estiveram quase pilhados por sessenta hússares, que os perseguiram de perto. Estava tudo acabado. Tratei de me pôr a salvo e cheguei até aqui, não sem correr bastantes riscos de ser apanhado por esses furiosos. Ora aqui está como findou a obra."

Preço do Editor - 14,31  (10% de desconto)

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Os Guardiões das Florestas

Márcia Morgado e Evandro Morgado (texto)

Sebastião Peixoto (ilustrações)

«Esta aventura estava a ser muito atrevida! Não havia espaço para falhas. “Os passos bem medidos, os pés bem colocados e os olhos sempre despertos”, repetia o pai do Alex, um Guarda-florestal muito experimentado. As vertigens da mãe não a deixavam seguir aquele ritmo, mas a Regina acompanhava-a e mantinha a Família unida.»

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«A curiosidade empurrou-a para o desafio e seguiu os trilhos desenhados no chão e as marcas impressas estrategicamente nos penedos mais vistosos. À medida que se aproximava, vinham ter com ela uns sussurros que ecoavam e eclodiam da gruta… com alguma dificuldade afastou os ramos que faziam de porta à Pedra Bela… transpôs uma laje que guardava a entrada, impedindo a intromissão de visitas metediças… e deparou com seis rostos cobertos pela sombra de umas túnicas brancas e improvisadas!»

http://guardioesdasflorestas.blogspot.com/

  guardioes.florestas@gmail.com

Preço do Editor - 9,00     (10% de desconto)

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O homem da nuvem escura

Inês Vinagre (texto)

Sebastião Peixoto (ilustrações)

 

"Página 1347 do Grande Livro das Histórias: “Atenção! Este livro não inclui princesas, nem dragões, fadas ou anões. É apenas a história de um homem. “

PS: Poderá entrar uma bruxa.

Numa determinada cidade, que aqui não importa referir, num determinado tempo que aqui não interessa dizer, existiu um homem a quem todos chamavam o homem da nuvem escura.

À primeira vista, o homem da nuvem escura era daquele género de pessoas, que poderíamos classificar de “normais”. Dois olhos do tamanho do costume, uma boca igual à de toda a gente, um par de orelhas, nem grandes nem pequenas, e, para completar o quadro, um nariz absolutamente vulgar. Não era velho, mas também não era novo. Nem alto, nem baixo, nem gordo, nem magro, nem bonito, nem feio. Normal.

Ninguém lhe conhecia nome, idade, família ou profissão e demorou bastante para se descobrir onde morava. Para todos, sem excepção, era apenas o homem da nuvem escura. Assim, sem tirar nem pôr, sem direito sequer a um nome com letra maiúscula.

           Acontece que o referido sujeito tinha uma particularidade que o tornava especial."

Preço do Editor - 11,25   (10% de desconto)

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Itinerâncias

Cláudio Lima

 

Receita

Vidro, muito vidro
moído.

Consumido
vagarosamente.

A melhor dieta
para tornar o poeta
transparente.

Preço do Editor - 10,80   (10% de desconto)

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O Morgado de Fafe Amoroso

Camilo Castelo Branco

(Introdução, fixação do texto e notas de

José Cândido de Oliveira Martins)

              O Morgado de Fafe, D. Vicência Pimentel, com a cabra, D. Hermenegilda Falcão e Heitor Falcão

Heitor Falcão (como se viessem conversando de fora) – Grande alegria me deu a sua vinda, primo morgado!... Esta senhora é que eu não conhecia. (As duas senhoras estão afagando a cabrinha).

Morgado (ao ouvido de Heitor) – Tem grande pancada na mola!

Heitor (o mesmo) – Também me quer parecer.

Morgado (alto) – O primo Heitor Falcão havia de conhecer o doutor Pimentel da casa das Lagariças?

Heitor – Ouvi falar desse doutor.

Morgado – Pois a sr.ª D. Vicência é viúva do tal doutor, e veio de Guimarães na minha honrosa companhia.

D. Vicência (à parte a D. Hermenegilda) – Na honrosa companhia dele!... O homem é parvo!...

D. Hermenegilda (com ar estúpido) – Quem? O primo morgado de Fafe?

D. Vicência (à parte) – Ela é tão parva como ele!... Com que gente eu estou relacionada!... (Vai fazer festa à cabra).

Morgado (à parte a Heitor) – O demónio da cabra deu-nos um trabalhão! Imagine o primo aquela bruta dentro da diligência a dar marradas nos joelhos da gente!...

Heitor – Então a mulher é doida! Pois ela vinha a dar cabeçadas?!... Seria com sono...

Morgado – Eu falo da cabra, não é da viúva.

Heitor – Ah! já percebo! Pois ele pudera! A cabra na diligência!

D. Vicência (a um criado que avista no corredor) – Ó homem! Dê-me de almoçar à Dejhali: sopinhas de leite, ouviu? Leve com modo a Dejhali. (O criado leva a cabra).

Heitor – O quê? Como diz ela à cabra?

Morgado – Acho que é deixa-ali. Eu pergunto-lhe. Ó sr.ª. D. Vicência, como é que a sr.ª diz à cabrita?

D. Vicência – Dejhali.

Morgado (a Heitor) – Vê? Deixa-ali.

D. Vicência – Deixa-ali, não, De-jha-li. Ainda que eu lhes queira explicar o nome, os senhores decerto não leram a Notre Dame de Victor Hugo. (Os dois encaram-se com ar de estúpida zombaria).

Morgado (a meia voz) – Ainda a quer mais atolambada?

Heitor (o mesmo) – É daquela casta!

D. Vicência (a D. Hermenegilda) – A menina sabe francês?

D. Hermenegilda (com o seu permanente ar de lorpa) – Eu!... eu sei cá isso!

D. Vicência (a Heitor) – Por que não manda ensinar francês a sua filha?

Heitor (rindo boçalmente) – De que serve isso? Meus avós morreram muito velhos sem saber francês. Que leve o diabo os franceses! Quando estiveram em Amarante, no tempo do Silveira, arrasaram-me a casa. E a senhora sabe falar francês?

D. Vicência – Sei, e falava sempre francês com meu marido.

Morgado (a Heitor, espantado) – Não se admire que lá em Lisboa, onde eu estive há quatro anos, as famílias falavam em francês como se estivessem em França. Eu ia lá a casa de um barão, que me quis impingir a filha, e tanto ela como a mãe, às duas por três, começavam a taramelar em francês. E olhe que eu ainda andei a estudar um bocado da tal língua; mas a falar-lhe a verdade, nem pra trás nem pra diante. Ó sr.ª D. Vicência, fale lá um todo-nada de francês para o primo Heitor ouvir. É língua levada da breca! Ora vá lá, diga alguma coisa...

D. Vicência (rindo) – Que hei-de eu dizer?... Vous êtes un sot, et votre cousin est un sot pareil, n’est-ce pas vrai?

Heitor – É a verdade: tem deanho o tal palavriado! Com efeito!

Morgado Eu não lhe disse, primo? Ora diga lá isso em português? (A D. Vicência).

D. Vicência (que continua a rir) – Eu disse que V. Ex.ª e seu primo são dois cavalheiros estimáveis.

Morgado (com desconfiança) – Isso são favores.

Heitor (à parte ao morgado) – Olhe que ela está a mangar de nós.

Morgado – Também me parece.

D. Vicência (a Hermenegilda) – Então a menina não estudou nada?

D. Hermenegilda – Eu sei ler nos livros.

D. Vicência Ah! A menina tem livros?

D. Hermenegilda – Tenho alguns.

D. Vicência Romances da Biblioteca económica, talvez...

Heitor – Não, senhora, ela não tem disso. A minha filha não lê romances. É peste que me não entra em casa. Lá na Amarante as cabras não têm nomes estrangeiros.

Morgado – Chamam-se cabras.

Heitor – Sem tirar nem pôr: é como diz.

Preço do Editor - 9,00    (10% de desconto)

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Histórias, Memórias e Contos Tontos

Maria do Céu Nogueira (texto)

Esmeralda Duarte (ilustrações)

"Histórias, Memórias e Contos Tontos" (2ª ed.), da autoria de Maria do Céu Nogueira, com ilustrações de Esmeralda Duarte, é um livro dirigido aos mais pequeninos.

Para além de estar recheado de histórias, inclui ainda: lengalengas,

trava-línguas,

teatrinhos e

poemas.

Divertido e educativo!

Preço do Editor - 9,00     (10% de desconto)

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Brincalendo

Maria do Céu Nogueira (texto)

Esmeralda Duarte (ilustrações)

"Brincalendo" (3ª ed.), da autoria de Maria do Céu Nogueira, com ilustrações de Esmeralda Duarte, é um livro que traz para as histórias inventadas pela Autora personagens como Capuchinho Vermelho, Branca de Neve, o Coelhinho Branco, e muitos outros, num fabuloso exercício de intertextualidade.

O livro inclui as histórias:

Alhos com Bugalhos

Carochinha Preguiçosa

Gato Rufino - Tocador de Violino

Preço do Editor - 9,00    (10% de desconto)

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Contos do Destino e do Desatino

Paula Teixeira de Queiroz 

  “Conceição, traga-me as meias pretas!”, disse, com voz trémula, Alice para a empregada.
   “Com este calor, minha senhora?!, ripostou a Conceição, mulher prática e desempenada.“Então a senhora não anda mais fresca sem meias? Estão quase trinta graus, estamos em pleno Verão, e anda a tapar-se toda com roupas pretas que ainda lhe fazem mais calor?!, continuava sem papas na língua – os trinta anos em que trabalhava para a sua senhora davam-lhe esse direito e à-vontade.
     Alice, irritada, levantou-se muito direita, a voz alterada pela indignação, quase gritou: “Cala-te, mulher do diabo, engole essa língua podre, então o senhor deixou-nos ainda não faz três meses e queres que me exponha ao povo, como se nada se tivesse passado? O que iriam pensar? Que já esqueci a memória do meu santo marido,
que Deus lá tem?! A cólera tingiu-lhe o rosto pálido dum rosado que lhe acentuava os olhos negros e amendoados.

ESGOTADO

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Titus e os Legionários

Museu D. Diogo de Sousa (texto)

César Figueiredo (ilustrações)

    

                            

Preço do Editor - 11,25  (10% de desconto)

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A Estrelinha Pálida

Pedro Seromenho (texto e ilustrações)

Era uma vez a noite mais brilhante de todas as noites!

Dos confins do Universo ao Cruzeiro do Sul, todas as estrelas brilhavamalegremente, excepto uma. Chamava-se Pálida. Para encontrar o brilho que lhe faltava, a estrelinha mergulhou dos céus e viajou até à Terra.

Encheu-se de coragem e lançou-se à aventura.

Deixa-te voar com ela!

Preço do Editor - 11,25€  (10% de desconto)

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Leituras do Desejo em Camilo Castelo Branco

Sérgio Guimarães de Sousa ;

José Cândido de Oliveira Martins

(Organização)

"A ficção camiliana, muito assente
no conflito entre a paixão e a razão,
tem como ponto nevrálgico, por
assim dizer, o desejo. As novelas de
Camilo oferecem, deste modo, um
amplo campo de estudo extremamente
fértil para abordar esta questão
nas suas múltiplas perspectivas
e implicações. Não deixa, por isso,
de ser um tanto curioso constatar
que a bibliografia passiva de Camilo,
mesmo a mais recente, carece de estudos
especificamente focados sobre o
desejo. Ao reunir, nesta colectânea,
textos de um conjunto de investigadores,
que aceitaram prontamente o
desafio de reler Camilo na óptica do
desejo, quisemos colmatar esta lacuna."

Preço do Editor - 11,25€   (10% de desconto)

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Que é que eu tenho, Maria Arnalda

A. M. Couto Viana

   "O revisor. Um velho a quem a farda esterlicava as carnes excedentes. Batera, entrara. Ela mostrou‑lhe os bilhetes. Ele trincou‑os com o alicate. E, depois, num repente, quis trincá‑la a ela, com a dentadura aguçada (provavelmente postiça). Tentou levantar‑lhe a fralda e rebolar com a rapariga espavorida no beliche de baixo. Ela foi heróica e atirou‑lhe à cabeça a garrafa de Vichy, que havíamos comprado em Austerlitz, deixando‑o caído no chão, com um fio de sangue a escorrer‑lhe da testa."

   "O recepcionista levara‑a para o 205, e com muitos salamaleques, sentou‑se na cama, pediu‑lhe que o imitasse para apreciar a qualidade do colchão. Depois de ela se haver sentado, perguntou‑lhe:
   – Connaissez vous le Marquis de Sade?
   Ela, ignorante da literatura libertina francesa, respondeu‑lhe:
   – Non. Pourquoi? Il est dans cette Hôtel?
   Ao que parecia, o fantasma do último prisioneiro da Bastilha vagueva por ali, no corpo moço do recepcionista,pois ao ouvir a resposta da Cló, e supondo que traduzia um convite à pouca‑vergonha, atirou‑se a ela como gato a bofe, tentando despi‑la e desabotoando as calças como o preto do «Hôtel de la Rose».
   A Cló conseguiu escapar‑se‑lhe, pelas escadas, arrastando a mala até ao meu quarto.
   – «Que é que eu tenho, Maria Arnalda?»

Preço do Editor - 9,00€    (10% de desconto)

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Os morros de Nóqui

Cláudio Lima

   "Contrariando as normais conjecturas, Fatinha não teve complicados problemas de adaptação ao clima e ao novo estilo de vida. Climas hostis e vida madrasta padecera-as ele desde que se conhecia, tanto em cavas e empas por agros de lavradores como no abate e serração de madeira por bouças e montes agrestes, com o tojo arnal pelo peito e enxarcado pelos temporais que Deus fosse servido despejar por lá.
   Dificuldades sentiu-as, sim, e enormes, nos porões do Niassa, onde o enjoo quase o levava a vomitar as tripas. Se havia inferno, pensaria ele naquele aperto, se para o efeito lhe funcionassem uns restos de raciocínio, o inferno não seria outra coisa que aquele constante baloiçar, aquele azul forte e rugoso a perder de vista mar além, aquele fartum a vómito, chulé e gasóleo, a todas as porcarias possíveis de imaginar numa prisão flutuante."

Preço do Editor - 9,00€    (10% de desconto)

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Intermezzi, Op.25

Manuel de Freitas

 

CAFÉ SCHILLER

Foi tudo em vão, novamente.
Estava a muitos quilómetros de Amesterdão,
se é que me percebes, embora gostasse
das riscas negras dos sofás, do metal
antigo dos candeeiros, do andar
tão firme de quem servia as bebidas.

Esta mulher vai entrar hoje
no meu passado. Não sei como se chama,
nem me interessa sabê-lo. Sorriu-me,
ou julguei que me sorriu, enquanto eu pagava
dois descafeinados, uma água com gás
e um Jameson que sabia mal, a desamor.
Vou pedir-lhe de troco o esquecimento,
a curta memória da blusa que lhe comprimia
o peito e dava às costas
um jeito irrepetível de prelúdio.

Eu, que vou morrer, desejei-te.

Preço do Editor - 10,80€   (10% de desconto)

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Magalhães e a primeira viagem à volta da Terra

Teresa Saavedra (texto)

Maria Inês Gonçalves (ilustrações)

O feito inolvidável de Fernão de Magalhães contado sob a forma de aventura, numa escrita que apaixona até os mais crescidos. Neste livro somos convidados a acompanhar os bravos marinheiros de Fernão de Magalhães, numa viagem que ajudaria a mudar a ideia que então se tinha do Mundo.

Preço do Editor - 4,50€    (10% de desconto)

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A Igreja de Salvador de Bravães

Eduardo Pires de Oliveira (texto)

Afonso Granja (fotografias)

   "Bravães. Vai-se tranquilamente pela estrada e a surpresa acontece. Ao lado, ali mesmo junto à berma, surge na nossa frente uma enorme massa de pedra, de granito, de belo talhe e com ar de ser de tempos infindos.
   É obrigatório parar o carro, apear-nos, que aquela mole de granito aparelhado não nos permite ficar indiferentes, passar ao lado como se nada aí estivesse.
..................................................................................................
  " Voltemos, porém, a Bravães porque é de velhas pedras que iremos tratar e não de paisagens também ainda arcaicas, ainda pouco destruídas pelo homem.
   E falemos do românico, de uma igreja românica, da mais bela igreja românica portuguesa."
 

Preço do Editor - 13,50€  (10% de desconto)

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Astronomia num minuto

João Vieira e Jorge Fonte

Astronomia num Minuto é um livro de divulgação científica que ilustra o esforço da Opera Omnia no sentido de se juntar  à celebração do Ano Internacional da Astronomia que decorre durante o ano de 2009.
Através de mais de uma centena de textos cientificamente rigorosos e de linguagem acessível, procura introduzir os leitores, nomeadamente os mais novos, no mundo das estrelas, dos planetas e dos cometas.

Preço do Editor - 11,25  (10% de desconto)

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900 - História de um Rei -

D. Afonso Henriques

1109-2009

Pedro Seromenho (texto e ilustrações)

Há novecentos anos, em 1109, nasceu o corajoso Afonso Henriques. Ainda jovem armou-se cavaleiro, combateu a mãe e opôs-se ao primo, o imperador da Hispânia. Como conquistador, travou batalhas, tomou cidades, derrotou os Reis Almorávidas e formou o Reino de Portugal. Foi pela traição que o derrotaram. Como homem, teve uma infância solitária, paixões arrebatadoras, um casamento de conveniência e enfrentou uma maldição materna. Ignorado pelo Papa, foi o próprio povo que o aclamou Rei.
Esta é a sua história.

Preço do Editor - 11,25  (10% de desconto)

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O Morgado de Fafe em Lisboa

Camilo Castelo Branco

(Introdução, fixação do texto e notas de

José Cândido de Oliveira Martins)

   Morgado - A noiva ficou à minha esquerda, e estava vermelha como uma ginja. Era a inocência, pelos modos; mas eu cuidei que seria indisposição de dentro, e perguntei-lhe se estava entoirida com o jantar. Disse-me que não tinha provado nada; e eu, cuidando que era fraqueza o seu mal, botei-lhe ao prato uma perna de peru. E que há-de ela fazer? Ergue­-se assarapantada, e foge. O que é, o que não é, que será, erguem­-se todos; uns vão, outros vêm, tudo se mexe menos eu, que fiquei comendo o peito do peru, bocado por que sou doido. Tratei de saber o que tivera a moça. Vi o poeta e perguntei-lhe: "O senhor sabe dizer-me o que teve a sra. D. Márcia?" Que há-de dizer-me o homem? "A menina retirou-se porque V S.a a envergonhou com a perna do peru." - "Homem, essa! - disse-lhe eu - Aposto que o senhor poeta, lá nos seus versos, lhe disse que uma menina inocente devia envergonhar-se da perna de um peru?!" No dia seguinte, meus caros senhores, escrevia uma carta ao pai de Márcia, dizendo-lhe que em minha casa se comia muita soma de peru, e que eu não estava para ir atrás de minha mulher todas as vezes que viesse à mesa um peru com pernas.

Preço do Editor - 9,00    (10% de desconto)

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Os despautérios do Padre Libório e outros contos pícaros

A. M. Couto Viana

Os despautérios do Padre Libório (excerto)


   «O Cu de Coibes (“coibes” significa couves na linguagem popular minhota) era o sacristão da Senhora do Resgate, uma pequena capela apertada entre dois prédios de habitação – para o exterior, apenas a larga porta numa parede de azulejos –, na rua mais antiga e estreita da cidadezinha.
   Morava nas traseiras da capela e, do quarto de cama, via-lhe o sino, quase uma sineta, pondo-o a tocar estando ainda deitado, pois tivera artes de prender um arame ao badalo que puxava da janela nas madrugadas gélidas, pelas cinco e meia, no primeiro aviso da missa d’alva, às seis horas, assistida por mercadores de feiras próximas ou distantes, passageiros do primeiro comboio com destino ao Porto.
   O Cu de Coibes, Armandino Candeias no bilhete de identidade, era balofo e imberbe, apesar dos seus quarenta anos, com uma voz de tenorino, tal um castrato da Senhora Dona Maria I. Cantava, fanhoso, ao som do organeto dedilhado pela D.ª Clemência, (um feixe de ossos assexuado, irmã do cónego Ângelo), durante a eucaristia do padre Libório, ali, no Resgate, com o velho sacerdote a dispensar acólito.
   O sacristão e a organista tinham de comum a língua viperina, capaz de lançar para as profundas do inferno a alma mais imaculada; aquele inferno onde a aguardava a forquilha do cónego Ângelo, um ângelo caído, sempre pronto a intrigar junto do bispo D. Teodorico Chaves, muito crédulo, muito confuso de ideias.
   O padre Libório, um santo barão, modesto e ingénuo, era conhecido em toda a cidadezinha pelos tremendos despautérios que dizia e fazia durante o exercício das suas actividades sacerdotais.
   Atribuíam-lhe, até, aquele caso em que, inadvertidamente, havia quebrado um segredo de confissão perante uma fila de fiéis, aguardando vez frente ao seu confessionário.
   Ajoelhara-se diante das grades uma pobre velhota que trabalhava a dias numa casa fidalga da cidadezinha. Padre Libório, cansado de haver velado toda a noite à cabeceira de um moribundo, deixara-se adormecer embalado pela lengalenga bichanada da pecadora. Ela, ao ouvi-lo ressonar, abandonou o confessionário mesmo antes da penitência.
   Súbito, padre Libório acorda com um ronco mais forte e, dando pela ausência da confessada, deita a cabeça de fora da cortina roxa e pergunta em voz alta aos fiéis aparvalhados:
   - Onde está a velha que roubou uma panela?»

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O Voo do Gafanhoto

Fernando Pinheiro

DOMINGOS PATO, O MAIOR MENTIROSO DAS TERRAS DE AQUÉM E ALÉM-CÁVADO (excerto)

Domingos Pato foi o maior mentiroso das Terras de Aquém e Além-Cávado. O maior mentiroso e o maior sacrificado. É que o vício de lograr o parceiro com uma laracha e duas tretas custava-lhe a punição impiedosa dos amos que não admitiam ser ludibriados por criados de gado. Quanto enxovalho público, quanta tapona de soga, quanta contrição no confessionário por causa dessa desmedida mitomania! Dava por esse nome de capoeira e durante anos a fio migrou de quinta em quinta, carregando a sua trouxa entourida de farrapos e mitos. Ninguém sabia que a mentira nele, por ele e com ele, era um princípio sagrado que lhe permitia uma comunhão plena com o mundo das coisas e dos seres, segundo a seu próprio modo os entendia. Mas não, nenhum conterrâneo, nenhum ribeirinho mais afoito, nem mesmo o padre Joaquim, entre todos o mais douto naquelas paragens, postas entre o mundo e o mistério, pôde intuir a verdade que havia nas suas petas. Estava, pois, condenado a uma vida de expiação. A dada altura do seu calvário, almejou bater ao portal de um amo reinadio, daqueles que, para desfastio da alma, gostavam de entremear o labor das canseiras com folguedos sadios. Foi por Deus. O senhor Adolfo de Casalinho não se importava nada de cair nas suas esparrelas, e muito mal ia a vida quando o Pato não tinha nenhuma patranha para seu divertimento.

Preço do Editor - 11,52€  (10% de desconto)

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Livro das Esmolas

Adelino Ínsua

 

 

 

 

 

 

A Unidade sopra os dez dedos da mão
e as nuvens brancas sobre o corpo.
Uma roupa luminosa tecida no baptismo
veste a alba e a noite.
Passam panos bentos na aragem dos dias gloriosos.
Olhos de carne fina, coração de seda.
Estrela sem ocaso, tão harmónica
dança do sangue! Tão ordenados caminhos
dos átomos! A Unidade, é fonte
de todas as perfeições!

Preço do Editor - 4,50€    (10% de desconto)

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Páginas Minhotas

Alfredo Pimenta

AQUELA CASA À BEIRA DA ESTRADA...(excerto)

"Esta minha Casa da Madre de Deus quem a vê de fora não imagina a capacidade que a caracteriza. Formam-na dois pisos: o piso do primeiro andar – o pisa nobre, digamos assim; e o piso do rés-do-chão. Neste, fica o meu quarto de trabalho, mais cela conventual ou de prisão, do que outra coisa: forrado de estantes que tocam no tecto, contém aquilo a que já se chama, por aí, a minha livraria de Mumadona. Creio que foi Fraülein A. Reuter, a erudita germânica, quem assim a baptizou. São perto de dois mil volumes de matéria séria: História, Teologia, Filosofia, Crítica erudita, Filologia, Dicionários, etc. É fechado nessa cela que passo os dias das minhas férias – com grave escândalo da família e dos médicos que vigiam a minha saúde. A seguir ao meu quarto de trabalho, com saída directa para a estrada, está a adega, – a adega.
......................................................................................................
Uma escada interior conduz ao primeiro andar e, antes disso, em desvio feliz, à cozinha, que é corpo anexo à casa.
No primeiro andar, ao cimo da escada, o quarto das criadas. Vem, depois, a casa de jantar, que é também Livraria – a livraria da literatura das senhoras da casa: alguma Poesia, Romance. Teatro; toda a Literatura que eu tinha em Lisboa, e, com excepção dos Poetas, foi transplantada para aqui. A casa de jantar comunica, por um corredor, com a saia das visitas, ou sala de estar, de que se desce, por escada de pedra, para o jardinzinho, e daí, por outra escada de pedra, para a porta principal da entrada.
..........................................................................................................
Aqui têm a Casa da Madre de Deus. Não a herdei assim. Era uma coisa rústica, sem livros, sem jardim, sem flores, nem sorrisos.
Quando tomei conta dela, onde está hoje o jardinzinho havia um quinteiro negro e sujo onde esgaravatavam galinhas, e fossavam bacorinhos; a que é hoje casa de estar já fora aviário, onde dormiam pombas e rolas, e esvoaçavam canários. A cozinha era térrea, e térrea, a eira.

Preço do Editor - 18,00€  (10% de desconto)

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Casas de Escritores no Minho

Secundino Cunha (texto)

Sérgio Freitas (fotografias)

"Casas de Escritores no Minho" é um livro que, por intermédio da palavra e da imagem, evoca a vida e as vivências de alguns dos mais importantes autores portugueses e dos seus lares (neste caso no Minho), como sejam Sá de Miranda, Aquilino Ribeiro, Ruben A, Camilo Castelo Branco, Raul Brandão, Tomaz de Figueiredo, etc.
Trata-se de um livro da autoria do jornalista Secundino Cunha, com fotografias antigas e actuais (estas da autoria do fotógrafo Sérgio Freitas).

 

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Dos maus e bons pecados

João Ricardo Lopes

Sapatos novos (excerto)

 

"Ninguém como o Sebastião da Peixaria Regalo me fazia desejar tanto fugir da escola e principiar o mais cedo que pudesse uma fortuna.

 

Era homem de múltiplas facetas o Sebastião, um jeito danado para o negócio, tão depressa rindo e trauteando boçalidades, como logo depois a vaiar um empregado com um par de pragas..........................

 

Regressava eu da Primária, num aperto de fome e com as contas de dividir a tornar-se um caso de vida ou morte, apanhava-o ágil, de avental e botas de borracha, a lavar as caixas do peixe e a cantarolar, muito encarnado de faces e genuinamente bem disposto, a dar por mim e a saudar-me com o discurso do costume:

 

É assim mesmo, meu menino. A escolinha faz muita falta… Há que trabalhar, porque quem não trabalha e não herda, nunca há-de passar duma grande merda!"

Preço do Editor - 10,80€  (10% de desconto)

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Coração Alcantilado

Carlos Poças Falcão

 

 

 

 

 

6.

 

A chuva alterou toda a paisagem.

Novos charcos e folhas mais brilhantes

um halo que custa a desvelar.

São guarda-chuvas o que os homens abrem

cafés despenteados por rumor de gabardinas.

 

Mesmo com sapatos sou um cão à chuva

e tenho os pés molhados como queria.

 

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Vitória Sport Clube

Uma fotobiografia

Sónia Sousa (texto)

Sérgio Freitas (fotografias)

 

Preço do Editor - 22,50€  (10% de desconto)

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Contos Baldios

Cláudio Lima

O PREGADOR (excerto)

 

Pinetas era pregador por mania e pedinte por fatalidade. Cinco reis de gente, sujo e remeloso de feder a milhas, corria as estradas de entre Cávado e Neiva, a butes, ora cantarolando estouvadamente as cantigas da moda, ora papagueando em altos brados um sermonário espúrio e chocarreiro, a raiar a blasfémia caso se lhe reconhecesse imputabilidade moral. Aí pelos quarenta, o seu aspecto denunciava fome brava e outras agressões do destino. Mas nenhum contratempo lhe toldava a boa disposição.

..........................................................................................................

Só mendigava nas vendas de beira-estrada e nos grandes ajuntamentos populares: feiras, romarias, adros de igreja. E nada de saquitel para recolha de vitualhas; viessem uns cobres para a algibeira, umas buchas para almofadar o estômago e, sobretudo, umas pingas para levantar a alma.

- Um tostãozinho, por amor de Deus...

Se era num tasco, abeirava-se com ar sofrido dos frequentadores e suplicava:

- Paguem-me uma malguinha... Hoje ainda o não provei...

O forte bafo e o roxo dos beiços denunciavam grossa e mal engendrada mentira.

Paciente e sabido, engolia em seco humilhações e larachas que lhe lançassem, porque a experiência lhe garantia que, a seguir, lá vinha o resultado pretendido: uma moedinha, um molete com queijo ou marmelada e uma tigelinha de verde tinto. Assumia-se assim; não era de andar pelas romarias a exibir chagas postiças nem de porta em porta a mastigar padre-nossos a troco de uma côdea ou umas migas. Isso era para mendigos sem estatuto nem imaginação.

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O Livro dos Milagres de Nª Sª da Oliveira da Real Colegiada de Guimarães

Cristina Célia Fernandes

O Livro

 

"O presente trabalho é uma dissertação de Mestrado em História e Cultura Medievais, Curso do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho.

Pretende-se fundamentalmente estudar o texto do Livro dos Milagres de Nossa Senhora da Oliveira de Guimarães, escrito por Afonso Peres durante o período medievo.

A ideia de realizar o estudo comparativo deste texto pareceu-nos importante uma vez que se trata da primeira e única obra deste género escrita em português. Quanto ao seu estudo procuramos utilizando o método comparativo, situar esta obra no âmbito da produção peninsular de narrativas milagrosas da mesma época. Sabemos que os milagres ocuparam um lugar de destaque no âmbito da literatura da Idade Média. O maior número de histórias de milagres chegou até nós através da sua estreita ligação a um determinado local de culto que, imediatamente, se transformava em lugar de peregrinação e desenhava a sua “clientela” em volta dessa mesma região.

A partir do estudo de um caso particular, o Livro dos Milagres de Nossa Senhora da Oliveira de Guimarães, procuramos verificar como é que o discurso destas histórias de milagres se textualizavam.

Ao preparar o seu estudo algumas questões importava elucidar. Porquê dotar a Colegiada de Santa Maria de Guimarães com um livro de milagres, quem eram os protagonistas desses feitos prodigiosos, de onde chegavam e a que grupos sociais pertenciam."

Preço do Editor - 9,00    (10% de desconto)

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Itinerarium III

Cláudio Lima

LÚDICO

 

não nos espera mais do que esta hora

que ademais é nossa por acaso

- melhor fora ó musa melhor fora

desejar apenas um destino raso

 

a fama é um fumo, se evapora

na penumbra funesta do ocaso

- melhor fora ó musa melhor fora

de loas e olés não fazer caso

 

fechar por dentro a porta da ilusão

rilhar um magro e resseco pão

fazer vénias e estrume, servil jogo

 

melhor fora talvez a servidão

não fosse sina ó musa dizer não

deste rebelde roubador de fogo

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Poesias

e outros dispersos

Teófilo Carneiro

(Introdução, fixação do texto e notas de

José Cândido de Oliveira Martins)

PASTOR DE OVELHAS

 

Pastor de ovelhas me sonhei um dia

Nos montes da ribeira limiana,

- Rebanho tão formoso não havia

Em qualquer outra serra lusitana.

 

Manhã cedinho, mal o sol nascia,

Já eu deixava o colmo da cabana

E a minha vida, a vida que eu fazia,

Era um poema de ternura humana.

 

Ovelhinhas guardando e sempre vendo

Lá do alto da serra o vale em flor,

Eu era quase santo, não o sendo!

 

Tinha zagala e cão, mundos de amor...

- Mas agora (ai de mim!) não compreendo

Porque Deus me não fez também pastor!...

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